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Milton Leite conta um pouco da sua carreira no rádio, jornal e TV. Ele revelou também curiosidades da sua carreira, confira a entrevista na íntegra.
Milton, como foi o começo da sua carreira em Jundiaí? Em 1978…
Eu estava iniciando faculdade de jornalismo na USP e o Jornal de Jundiaí publicou um anúncio procurando repórteres. Eu me apresentei, fiz um teste e fui contratado.
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Qual foi sua primeira rádio que você trabalhou? Lá você já narrava jogos?
Um ano depois de estar trabalhando no Jornal de Jundiaí, fui convidado para trabalhar também na Rádio Difusora de Jundiaí, que pertencia ao mesmo dono, como repórter esportivo. Cheguei a narrar jogos em rádio em Jundiaí, pouco antes de me transferir para trabalhar em São Paulo.
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Já fiz essa pergunta para vários jornalistas/Narradores, mas sempre gosto de saber. O Rádio é uma grande escola para trabalhar na TV?
-O rádio desenvolve muito a capacidade de improviso, o que acaba ajudando muito em TV, principalmente para quem trabalha com o esporte, normalmente feito ao vivo e com muito improviso.
Você sempre quis ser Jornalista ou deseja seguir outra profissão?
Na verdade meu sonho era ser escritor, de ficção, mas sem talento para tal resolvi seguir uma profissão que me permitisse trabalhar escrevendo, por isso fui para o jornalismo, para escrever, mas acabei indo para rádio e tv também.
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Se você não fosse jornalista, em qual área você se imaginaria trabalhando?
Provavelmente am alguma outra atividade ligada à comunicação, talvez publicidade, editoração...
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Em 1990, na extinta TV jovem pan, você narrou partidas de futebol, conta pra gente como foi o começo lá? Você também trabalhou na rádio Jovem Pan?
Eu trabalhava como apresentador da rádio quando o projeto da TV começou. Os profissionais da rádio foram chamados para o período de testes, transmissões experimentais. Eu fui um deles. Minha paixão por esportes me levou para as transmissões, embora na rádio eu trabalhasse na área de variedades.
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Ao invés de gritar gol, você dizia "A Emoção Acontece na Pan", de onde veio esse bordão e por qual motivo você não gritava gol?
-Essa foi uma proposta do dono da Jovem Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta. Como a tv inovou na época com vinhetas e grafismos sobre as imagens na hora do gol ele considerou que gritar gol como todo mundo, ele pediu que cada narrador criasse um grito de gol em usar a palavra gol.
Em 1995 você chegou na ESPN Brasil, apresentava o Linha de passe, programa tradicional da casa, trabalhou em Copa do Mundo, Olimpíadas. Naquele momento sua carreira subia mais um degrau, como você encontrou esse desafio? Era uma responsabilidade muito grande…
Fui crescendo junto com o canal. Quando comecei a ESPN Brasil nem existia, só foi criada seis meses depois. Só havia a ESPN Internacional. Cheguei lá para cobrir férias, fui ficando porque o canal começou a comprar mais campeonatos, precisou de mais narradores. Subi rapidamente na hierarquia dos narradores, depois disso é que vieram os grandes eventos, o Linha de Passe, o Bola da Vez. Mas eu já era um profissional experiente, tinha quase 20 anos de carreira, em jornais e rádios, tinha trabalhado no Estadão e na Jovem Pan. Acho que isso ajudou a enfrentar o desafio.
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Em 2005, você chegou ao SporTV, se eu não me engano para substituir o saudoso Devan, como foi seu começo no canal?
Na verdade o Deva já havia saído da tv, meses antes de eu ser contratado. Cheguei contratado pelo diretor do canal Emanuel Castro, que também era diretor da Globo. Eu já era o principal narrador do principal concorrente do Sportv. Então já cheguei numa posição importante.
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O Grupo Globo na opinião de muitos, é o maior grupo de comunicação do País, na época que você chegou no grupo já era o maior do Brasil. Você se cobrava mais em fazer um trabalho muito melhor, visto que você estava no maior grupo de comunicação do País?
Sempre me cobrei para fazer o melhor possível, desde quando trabalhava em veículos pequenos do interior. Na Globo, o que acontece, é que a repercussão do que você faz é muito maior, você atinge muito mais gente. E isso é para o bem e para o mal.
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Qual foi a olimpíadas mais marcante da sua carreira?
Estive in loco em cinco, todas elas em lugares incríveis, Austrália, Grécia, China, Inglaterra e no Rio. Olimpíada é meu evento favorito, talvez por isso a primeira é que me marcou mais, a de Sydney.
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A pressão em fazer um bom trabalho na Copa do mundo (2014) e Olimpíadas (2016) era maior por conta de ser no Brasil?
Não. Na verdade foi mais divertido, porque você sai na rua e encontra as pessoas que te conhecem, percebe mais a reação dos brasileiros ao desempenho dos seus atletas. Não senti pressão por ser em casa. Ao contrário, você está perto de casa, da família, fica muito mais tranquilo e à vontade.
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Em 2010, você estreou na Tv Globo, sinal aberto, na partida entre Internacional x Vasco. Ali você estava realizando um sonho? Visto que estava trabalhando em uma Tv aberta, falando para milhões de pessoas?
Na verdade, nunca sonhei em trabalhar em tv, as coisas aconteceram por acaso, sem meu controle. Meu sonho sempre foi trabalhar em jornal, escrever. Aquele era o inicio de um desafio, tentar fazer na aberta o sucesso que eu fazia na fechada. Mas isso não aconteceu, porque nunca tive uma sequência grande de transmissões na Globo que me permitisse desenvolver um estilo que dialogasse mais com o público da aberta, que é diferente da fechada.
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Em 2011, você narrou a final da Ligas dos campeões pela Tv Globo, in loco. Conta como foi essa experiência?
Foi incrível poder transmitir a final do principal torneio de clubes do mundo, numa estádio lendário como Wembley e acompanhando uma grande exibição do maior jogador do mundo da atualidade, o Messi. Foi uma oportunidade dada pelo diretor da Globo à época, o falecido Marco Mora. Foram dias incríveis.
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Onde surgiu o bordão: " Que beleza " e " Meu Deus " ?
O “que beleza” eu “roubei” do Vanderlei Nogueira, com trabalhei na Jovem Pan. Ele sempre usou a expressão com o sentido irônico que eu também uso. O “Meu Deus” saiu um dia e ficou. Nunca fiquei pensando em bordões, nem tentando criar. Apareceram, ou peguei de alguém.
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Recentemente você ganhou um programa, o Grande círculo. Como está sendo a experiência de apresentar esse programa de entrevistas?
Há algum tempo propus à direção que o canal tivesse um programa de entrevistas, sempre achei que faltava. Minha proposta tinha um formato um pouco diferente do “Grande Círculo”. O meu interesse em fazer algo e a minha experiência em apresentar programas de entrevistas em outras emissoras de rádio e tv provavelmente convenceram a direção do canal a me colocar no comando. E tem sido ótimo, as audiências são muito maiores do que imaginei, temos feito grandes entrevistas, a repercussão tem sido espetacular.

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